Sangue Negro (Filipe)
2 Março, 2008
Ainda em ritmo de Oscar, se um prêmio foi merecido e não tinha nem como a Academia escolher outro vencedor, foi o Oscar para Daniel Day-Lewis. E ainda digo mais, se houvesse um Oscar de todos os tempos, ele muito provavelmente estaria entre os indicados. Ainda sobre os prêmios, devia ter levado Melhor Filme. Onde os Fracos Não Têm Vez é um ótimo filme, mas Sangue Negro vai além: é um ótimo filme e é a consolidação de uma promessa como um diretor de ponta. Paul Thomas Anderson desde já é um dos grandes nomes de sempre nas listas de diretores.
Daniel Day-Lewis é seu xará, Daniel Plainview, um magnata do petróleo do início do séc. XX. Do seu próprio esforço (e sorte), Daniel começou a cavar poços de petróleo e logo se tornou rico. À primeira vista, Daniel quer o bem dos seus empregados, tratando-os como se fossem seus amigos. Porém Daniel logo vai revelando sua outra face, a de um dono de um negócio que na verdade não dá a mínima para os empregados (a não ser que dar a mínima signifique algo bom para o seu negócio), sempre adotando uma expressão passiva (mesmo que tente mostrar atitudes contrárias a essa expressão) mesmo quando um empregado morre.
A magia da atuação de Daniel Day-Lewis é seu olhar sempre fixo e na altura dos olhos de quem ele fala (reparem como ele se inclina ao falar com uma garotinha), sobrancelhas sempre arqueadas e uma voz bastante amigável, Daniel consegue enganar até mesmo o espectador. Mas quando necessário, a sua expressão de raiva é de assustar qualquer um. Se for para resumir a atuação dele com uma cena, fico com o close dele se redimindo dos pecados onde ele alterna expressões de humilhação, ódio e satisfação com impressionante fluidez.
Mas por mais maravilhosa que seja a atuação de Daniel Day-Lewis, não podemos nos esquecer de tantos pontos positivos que o filme tem. Para finalizar a parte de atuações, Paul Dano se consolida como uma das mais promissoras revelações de Hollywood.
O roteiro também é um dos pontos que tornam Sangue Negro uma experiência maravilhosa. Desde os primeiros 15 minutos de filme em total silêncio, passando pelos diálogos ácidos e cheios de farpas entre Daniel Plainview e Eli Sunday (Paul Dano) até a carga de ambigüidade da frase final, o roteiro é bastante preciso. Os discursos de Daniel para mostrar a sua “bondade” com seus empregados mostram-se muito bem estudados pelo protagonista antes de serem cuidadosamente proferidos.
Sangue Negro é definitivamente a melhor experiência cinematográfica de 2007 e mais um acerto na filmografia de Paul Thomas Anderson, além de nos mostrar um dos mais fascinantes personagens do cinema encarnado por um igualmente fascinante ator.
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1.
teteutarantino | 2 Março, 2008 at 10:49 pm
vou ver
ainda essa semana!
=DD
2.
Rafael | 3 Março, 2008 at 8:14 pm
Quero ver, quero ver
3.
Rafael | 3 Março, 2008 at 8:15 pm
Paul Thomas Anderson promete